exposição

do it

Curadoria de Hans Ulrich Obrist

do it começou em Paris em 1993 em uma conversa entre o curador Hans Ulrich Obrist e os artistas Christian Boltanski e Bertrand Lavier. Tinham curiosidade em ver o que aconteceria se iniciassem uma exposição que pudesse constantemente gerar novas versões de si própria. Para testar a ideia, convidaram 12 artistas a proporem obras baseadas em “anotações” ou instruções que possam ser interpretadas livremente de cada vez que sejam apresentadas. As instruções foram traduzidas em 9 línguas diferentes e circularam internacionalmente na forma de livro.

Desde essa altura, centenas de artistas foram convidados a submeter instruções, e do it teve lugar por todo o mundo, da Austria à Austrália, da Tailândia ao Uruguai, do Canadá à Islândia, dando um significado novo ao conceito de exposição em processo. Cada exposição do it é específica de um lugar pois envolve a comunidade local num diálogo que responde a um conjunto de instruções. Daí resulta que do it seja menos acerca de cópias, imagens ou reproduções de obras de arte do que com interpretação de quem executa a instrução. Não existem duas versões idênticas das mesmas instruções.

 

“Regras do jogo” do it (sabendo que por vezes haverá exceções)

  1. Cada local deve selecionar e realizar pelo menos vinte das potenciais 250 ações/obras de arte. O processo de seleção garante que não apenas cada obra de arte varia com cada interpretação mas também uma nova instalação emerge de cada vez que a exposição é apresentada.
  2. As instruções devem ser realizadas pelo pessoal do museu ou pela comunidade. Nem o curador nem os artistas estarão diretamente envolvidos na realização da exposição. Não há uma obra “original” criada por um artista.
  3. As descrições faça-você-mesmo de cada artista são recreadas de cada vez. Não existe uma “assinatura” tradicional do artista e por isso às obras de do it não pode ser atribuído um “carácter” estático.
  4. No final de cada exposição do it, a instituição organizadora está obrigada a destruir as obras e as instruções a partir das quais foram criadas removendo assim a possibilidade de que as obras de do it se possam tornar obras permanentes ou fetiches.
  5. Os componentes utilizados para realizar as obras devem ser devolvidos ao seu contexto originário, tornando do it quase totalmente reversível. O vulgar transforma-se no especial e depois é convertido de volta no banal. do it aparece para depois desaparecer.
  6. Todas as instruções interpretadas devem ser documentadas.