Max Neuhaus

Max Neuhaus [287]
Listen, 1996
Wurst Tours – Gui Castro Felda
ESCUTA (1996)
O estímulo foi duplo. O significado simples e claro da palavra, prestar atenção auditiva, e à sua imagem visual simples – ESCUTA – quando em letras maiúsculas. Também o seu significado imperativo – em parte, devo admiti-lo, como uma piada partilhada por mim e a minha companheira da altura, uma rapariga franco-búlgara, que costumava gritá-lo antes de começar a atirar-me coisas quando estava zangada.

Foi o meu primeiro trabalho independente enquanto artista, em 1966. Como percussionista eu tinha estado envolvido com a inserção do som quotidiano na sala de concertos, desde Russolo, passando por Varese e finalmente Cage, que trouxe os sons da rua diretamente para a sala de concertos.

Eu via estas atividades como um modo de dar estatuto estético a estes sons – algo de que era a favor – mas comecei a questionar a eficácia do método. A maioria dos membros da audiência parecia mais impressionada com o escândalo do que com os sons, e poucos eram capazes de transferir a experiência para assumir uma perspectiva nova relativamente aos sons das suas vidas quotidianas.

Eu fiquei interessado em avançar mais um passo. Por que razão limitar o ouvir à sala de concerto? Em vez de trazer estes sons ao auditório, por que não simplesmente levar a audiência para o exterior – uma demonstração in situ? A primeira performance foi para um pequeno grupo de amigos. Pedi-lhes que se encontrassem comigo na esquina da Avenida D e a Rua 14 Oeste em Manhattan. Carimbei ESCUTA na mão de cada pessoa e comecei a descer com eles a Rua 14 até ao East River. Neste ponto a rua intersecta uma central de energia e, como eu tinha notado antes, ouve-se um som baixo e contínuo. Continuámos, atravessando a via-rápida e caminhando ao som do passar do trânsito, ao longo do rio, atravessando de volta por uma ponte pedonal, passando pelo movimento do bairro porto-riquenho até ao meu estúdio, onde toquei alguma música de percussão.

Mais tarde, comecei a fazer estas ações como “Palestras Demonstradas”; o carimbo era a palestra e a caminhada era a demonstração. Convidava a audiência de um concerto ou de uma palestra que se juntassem fora do auditório, carimbava as mãos e conduzia-os pelos caminhos habituais. Em silêncio, concentrava-me apenas em ouvir e começar a caminhar. Primeiro ficavam um pouco embaraçados, claro, mas de um modo geral era contagiante. O grupo avançava em silêncio e, quando regressávamos ao auditório muitos tinham encontrado uma maneira de se ouvirem por si próprios.

Houve outras manifestações da mesma ideia. Organizei “visitas de estudo” a lugares geralmente pouco acessíveis e que tinham sons que não se podiam registar com um gravador. Também fiz algumas versões em formato de publicação. Uma delas, um cartaz, com uma vista da parte inferior da ponte de Brooklyn, com a palavra ESCUTA carimbada em letras garrafais na parte debaixo da ponte. Teve origem num grande fascínio meu por sons do trânsito a passar pela ponte – sons ricos em textura, compostos por centenas de pneus a rolarem no pavimento em trama metálica das laterais da estrada, cada um com uma velocidade e ritmo diferente.

Os construtores do porto de mar South Street, que é próximo da ponte, sempre acharam que este som iria limitar o valor imobiliário do local. No final dos anos oitenta, eles conseguiram convencer a a cidade a trocar o pavimento em trama metálica por asfalto. Após esta alteração descobriram que o imenso peso adicionado com o asfalto causou problemas sérios problemas estruturais na ponte. Ainda existe um som, mas não é um som tão interessante como o prévio repavimento. O último trabalho da série, foi uma versão faça-você-mesmo. Publiquei um postal em autocolante com o contorno a palavra, deixando as letras sem preenchimento, para que fossem colocadas em locais seleccionados pelas pessoas que recebessem esse postal.

Sobre o artista
Max Neuhaus (9 de agosto de 1939 – 3 de Setembro de 2009) foi um músico e artista americano, conhecido pelas suas interpretações na área da percussão experimental e pela inovadora criação de instalações sonoras nos anos 60.

Esta informação foi extraída de: https://en.wikipedia.org/wiki/Max_Neuhaus